O esforço por trás do jogo e como nasceu a sua história
Por que eu quis fazer este jogo, como sua história foi criada e quem está por trás dele. Contado sem enfeites e sem spoilers do final.
Por Keidegger Silva · After Signal
Atualizado:

Neste boletim
Como nasceu
Eu queria contar uma história cinematográfica e séria sobre um mundo em que a água, o recurso mais valioso que temos, está acabando, e sobre a crise em que esse mundo cai quando ela falta. Não queria um sermão sobre economizar água. Queria uma história para ser vivida, com seu mistério, seus lugares e sua gente.
Por isso Who Left It On? é contado jogando e em capítulos, como uma série. Cada parte é descoberta com calma e deixa algo em aberto para a seguinte. A água está no centro de tudo, num mundo onde a água limpa é fabricada, a rede que a mantinha funcionando se apagou e uma estação espera que alguém a ligue de novo.
Uma história em capítulos
O primeiro capítulo, “A estação abandonada”, se passa na Estação 7. Ele começa com a dúvida mais simples que qualquer pessoa teria ao chegar a um lugar assim, o que aconteceu aqui. No final, algumas perguntas têm resposta e outras ficam em aberto para o capítulo seguinte.
Antes de desenhar qualquer coisa, monto o capítulo como uma cadeia de passos, com o que você precisa encontrar, o que abre cada coisa e o que você descobre a cada momento. Essa cadeia sustenta a história, e o mapa, as anotações e os quebra-cabeças ficam pendurados nela.

As anotações, a voz da estação
A história não é contada só com cenas. É contada sobretudo com o que as pessoas deixaram para trás, como ordens de serviço, avisos nas grades, etiquetas nas chaves ou um diário com os dias numerados. Cada anotação é curta, porque é lida em pé, debaixo de chuva, com outra coisa para fazer.
Algumas anotações têm humor, porque as pessoas que trabalhavam ali tinham. Uma estação abandonada pode dar medo e, mesmo assim, guardar a letra de alguém que passou anos contando patos.
Censo de patos de hoje: 3. De ontem: 3. De três anos atrás: 3.
Esse tom baixa a guarda, e então aparece o que não se encaixa. Uma chave com os dentes limados à mão, como se alguém pretendesse voltar para buscá-la. Uma peça que não deveria estar morna. Um aviso que ninguém obedeceu. O mistério nasce desses pequenos detalhes.

Mistério, mas sem trapaça
Eu queria um mistério que se resolvesse olhando, não adivinhando. A lista de tarefas diz o que falta sem dizer como fazer, os quebra-cabeças são pequenos e, se você travar, o jogo dá uma dica. O resto é com você, lendo, ligando os pontos e tirando suas próprias conclusões.
Quem faz
Quem faz sou eu, Keidegger Silva. Sou designer de experiência (UX), não programador. Adoro jogos, contar histórias e pixel art, e Who Left It On? é o meu jeito de juntar as três coisas. Crio os capítulos, escrevo a história, testo no computador e no celular, e os publico.
After Signal é o nome do estúdio de onde eu o faço, um estúdio de uma pessoa só, que faz jogos narrativos e também a ferramenta para contá-los.
Como foi feito, e a IA
Eu o construí com muito cuidado e amor pelo ofício. O sistema de design, as mecânicas, a história e as decisões são trabalho meu.
Um editor caseiro
Para não depender de programar cada cena, criei meu próprio editor, o Tale Rocket. Com ele monto o mapa, as anotações, as tarefas, as cenas e as traduções, e o capítulo 1 foi feito inteiramente com ele. Conto tudo no próximo boletim.
O que vem por aí
- Mais capítulos, com a intenção de lançar um a cada mês, mais ou menos.
- Continuar aperfeiçoando o Tale Rocket com o que aprendo em cada capítulo.
- Ler tudo o que você me escrever. Bugs e ideias chegam até mim em hello@wholeftiton.com.
Como ajudar
Qualquer apoio ajuda muito, seja jogar, contar para alguém ou seguir a gente nas redes sociais.